Artigos na tag ‘Poesia’

Porão do GV.

Fé 
Fé, resoluta e intrépida
Viva e ardente
Fé - convicção sobrenatural
Eu choro, sofro, tremo
Mas creio
Tenho fé.

Melancolia Folgazona.

DEMASIADAMENTE
 
hoje estou
muito primeira
pessoa.
tudo é uma
consciência
irreflexiva.
de mim,
cada sombra
de mim,
cada luz ou
sobra.
gota, surto
flor fugida
do arbusto…
tudo meu.
não sou poupado
em nada;
já bate um medo!
soco murro ou farsa,
me protejam.
me sei fraco,
me sou cabreiro.
mas roubaram
minha senha.
o que me safava,
queimaram
com isqueiro,
e hoje sou
muito inteiro.
fedo forte,
percevejo.
sôo alto,
heavy metal.
apareço muito,
e vejo.
todas as plantas
e sonhos
a tampa da panela,
os passos da
mãe chegando,
o assalto na esquina
a paixão, […]

O Pescador de Sonhos.

Um banco e uma praça, ambos de frente para o mundo. O banco é testemunha da solidão alheia que vem e passa nas pernas apressadas das mulheres e homens de agora. É um pequeno centro de todas as coisas onde se pode ouvir e sentir a turbulência em forma de buzina, em forma de vozes […]

O Ciclo das Realizações.

Não sou os sonhos de outros escritores de outros autores, não sou as dores e medos de algum poeta.
Sou meus próprios sonhos, meus próprios medos e isso me sustenta.
Não me basta saber como é a dor dos outros ou como são seus amores. Quero encontrar o ponto central de mim mesmo, onde os dois rios […]

o bêbado e o desequílibrio.

ele era um bêbado. não que essa fosse a única categoria pra enquadrá-lo, só que termos feito cidadão de terceiro mundo ou latino-americano morto de fome não vinham à mente quando se sentia o hálito podre de cachaça e cárie de joão.
sim, esse era o seu nome. joão-bobo, joão-ninguém. ou joão-de-barro, como a ave ardilosa […]

Ao desconhecido.

Nem sei se ainda estás por aqui. Mas teu pedido me pareceu tão pertinente, que intrigou: “Por favor, me diga quem é você! Me escreva e me conte o que tem vivido e amado!”. Não deixaste teu endereço, teu rastro ou qualquer outra forma de chegar a ti. Pois bem, te falo o possível, e […]

Mar de Pensamento.

Navega e deságua em oceanos distantes,
Que não teria coragem de atravessar duas vezes
E quando vimos nem sabíamos; já estávamos ali
Como o carvão riscando uma parede, seguimos a alegria das crianças
Pensávamos aonde nos conduziam realmente?

Príncipe Poeta - Alexandre Lemos - APAE

‘Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar,
Sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou […]

- ENSOLARADO -

Prostrou-se ao sol, pois tal amor não haveria de ser, senão, ensolarado.
Essa quentura que permeia cada milímetro da pele, mas também ferve todos os órgãos vitais do lado de dentro, deixando até assim, meio molinho, sem saber se vai ou se fica ali mesmo, servia como argumento ao que foi citado acima.
Contudo, como obviamente acontecer-lhe-ia, […]

O Golem.

Criatura de músculos e vísceras,
Obra bruta dos quatro elementos,
Encantadora mestra de feras,
Chama das idéias e nascimentos.

Todas as noites são longas.

Eu temo pela noite, em abandono;
eu tomo Pasalix e Rivotril;
eu tento então dormir mas não há sono;
eu choro pela dor e porque é vil;

Antipalavra.

Ou isso é poesia ou não é nada,
um nada absoluto que persiste
em tentar explicar tudo.

Minha ex vai se casar.

Com vinte convites, vingo o meu olhar sobre as minhas mãos que os carregam. Vozes e vísceras contorcem o meu corpo, sentado em uma velha cadeira vulnerável. Dos mundos sorrateiros, elevam-se estrelinhas que explodem como minúsculos rojões intermitentes diante dos meus olhos. Três dias sem dormir, setenta e duas horas; e o relógio me olha […]

Vê se pode Poder?

Vê se pode Poder?
Ter o nome na lista
Dos espiões escondidos na praça

Ter a foto colada
Numa parede velha, num quadro negro

A poesia dita e escrita de Maria Rezende.

 
RISCO 
O risco não é só um traço
É a distância entre um prédio e outro
A diferença entre o pulo e o salto

Aspásia Mariana.

Carol é a mais doce rosa de todos os príncipes,
de todos os Carlos,
de qualquer heber, paulo,
mal que se foi ou bem que virá!
a Carol chorando então, é um apelo!
não um dueto de atriz e melodrama…
é um aconchego da mulher na verdade de sua dança.
a Carol debruçada, abandonada, jogada em sua cama,
cobrando atrasos, cobrando passados…
a Carol […]

Baloiço ao Vento.

No momento em que espero pela tua próxima palavra, em que me delicio com o tempo entre uma e outra, sorrio ao vento que faz a vida parecer um baloiço de vidro… um pedaçinho de alguma coisa tão só e tão tudo, nas suas cordas suspenso entre dois mundos, o meu e o teu…

Labirinto Líquido e Augusto dos Anjos.


Não suporto guarda-chuvas

Ocupam espaço na pasta,
na vida e nas ruas
o peso inútil
a falsa sensação de proteção

As Horas.

Quando o dia não é tão claro
Quando o sol não brilha tanto
Quando ninguém sai de casa
Alguma coisa está estranha