Porão do GV.
Fé
Fé, resoluta e intrépida
Viva e ardente
Fé - convicção sobrenatural
Eu choro, sofro, tremo
Mas creio
Tenho fé.
.
Epitáfio.
Reuniu forças
Somou experiência
Desafiou sua sorte
Conviveu com seus medos
Sentiu as próprias dores
E morreu.
Morreu cansado
Da luta injusta de seu ser
Consigo mesmo.
.
Faca de gumes.
O verde da esperança que levava consigo
Era símbolo profícuo do que desejava me dizer.
O oxigênio abundante rarefez-se em meu corpo
Desejoso do saber.
Amor que ama o desconhecido
Duela consigo, não quer um inimigo conhecer.
Revela-me sua face, lacere meu coração
Viva comigo ou tenha decência de dizer não
.
Eu quero
Eu quero batizar as idéias absurdas
Alimentar todas as minhas dúvidas
Entender que sou alguém.
Eu quero devaneio em plena chuva
Rir das minhas bruxas
Chorar quando me convém.
Eu quero me despedaçar sob meus cacos
Limpar os meus armários
Me esconder ao ver alguém.
Eu quero viver essa vida,
verdadeira epifania
Com cada dádiva que tem.
.
Reações
Incrível como o peito se fecha
Nem ar consegue penetrar
O corpo se isola
A mente perde o controle
Nada pode se racionalizar
A pele sobe
O corpo explode pra dentro
Tentando se desmaterializar
O sangue pulsa
O tempo escoa
A vida não esquece de continuar.
.
Conselhos aos passos
Aquela água que cobria todos
Em pingos generosos
Não cumpriu o que propões ao chegar
Lavar.
Lavar minha alma e meu corpo
Trazer-me paz e conforto
Fazei-me rir a chorar
Escutei sua voz irritada
Propondo o que veio a falar
Lavar seu corpo eu posso
Levar seu pecados é que não
Dias doloridos existem
Não pense você que não
Amor é taça de vinho
Água não é redenção.
.
Ato da Felicidade
Como é fácil virar criança
Virar criança na boca de alguém
Mesmo nos versos me espanto
Me espanta a força que tem
Das conversas a insegurança
Em seus medos, meus olhos refém
Desprezar o impossível é ter esperança
Tu não sabes a força que tem
Por Silveira Machado.
Tags: Arte, Literatura, Poesia