O Ciclo das Realizações.
Não sou os sonhos de outros escritores de outros autores, não sou as dores e medos de algum poeta.
Sou meus próprios sonhos, meus próprios medos e isso me sustenta.
Não me basta saber como é a dor dos outros ou como são seus amores. Quero encontrar o ponto central de mim mesmo, onde os dois rios se juntam em direção ao mar. Quero encontrar o centro da minha existência, navegar por entre as águas tempestuosas de minha própria imaginação. Quero livrar-me da imagem coletiva e sem face, do senso comum. Suas alegrias, suas fugas, seus traumas, artifÃcios e formulações. São trilhas percorridas por outros, em nada podem me guiar…
Só assim saberei o que é meu e o que é da massa.
Que o universo me livre de ser tragado pelos sonhos e ambições alheias. Que o fogo queime minha carne e dilacere minha consciência. Prefiro isso a entrar numa engrenagem maquinada por outro alguém. Que eu acabe com toda a força e rompa com minha própria matéria, mergulhe no mais profundo poço de solidão. Pois então essa solidão será minha, somente minha. Esse serei eu, despido das máscaras e da idéias que construà ao longo dos tempos. Castelos de areia. Finalmente eu, um ser desconhecido de mim mesmo, mas autêntico com minha natureza. Sem rótulos, nem expectativas. Revigorado pela força polar que se movimenta nos confins do mundo.
Então, diante de mim mesmo, peço que a coragem para assumir minhas fraquezas seja maior do que a trilha fácil da mentira. Que de minha boca nasçam palavras tão cristalinas e verdadeiras quanto aquelas sementes que cultivo. Que meus ouvidos formem um canal direto com meu coração, e a melodia de suas vozes seja a vitalidade que rega o solo do meu jardim. Que meus olhos possam tocar o profundo de vossas almas, sem vacilar, sem duvidar.
Que a certeza que cresce em mim multiplique-se e espalhe em todas as direções, e que eu deixe um pedacinho de mim em cada um que cruzar meu caminho, e que esse pedacinho, por mais singelo que pareça, contenha tudo o que tenho. Assim viverei eternamente, servindo a mim mesmo e a nossa espécie.
E que assim seja, Miguel.
29 Julho 2009 as 14:19Que assim seja!