O Último Corpo.

“Meu amor de sombra é o maior que existe. Uma delícia. Uma penúria. Igual uma imensidão feita de luz em forma de uma cortina negra. Não tive escolha. Foi a maneira que encontrei de libertá-la dos malvados. Espero que me perdoe. Amo você.”
Foi essa a mensagem encontrada sobre o colchão, ao lado desse último corpo. O assassino pensava que podia virar uma sombra. Arthur tinha esse desejo, e acreditava que seu corpo se fundia com o ébano e que essa condição o fazia um matador infalivelmente camuflado.
Normalmente, a vítima era indicada por uma suposta voz. Esse último corpo encontrado também foi. Era uma garota. Sua namorada. Os dois tiveram um envolvimento curto e intenso. Mas um dia a voz falou que ela deveria morrer, por que fazia parte do povo inimigo. Ele não hesitou.
Levou um punhal. Depois do sexo, ele a matou. Ela dormia. Foi desnucada já no primeiro golpe. Ela não gritou, por que a faca ultrapassou a sua traquéia. Arthur conhecia a morte. Os vizinhos não ouviram nada.
Foi um assassinato diferente. Permaneceu na cena do crime mais tempo que o normal. Foi a primeira vez que deixou uma mensagem ao lado da vítima. A única pista capaz de provar a sua culpa. Usou a arma do crime para escrever nas costas da morta. Passou a madrugada inteira fazendo isso.
Quando amanheceu, trancou a porta, deu até bom dia para um vizinho antes de ir. As pessoas não estranharam a sua presença. Por que o elemento era conhecido por todos os moradores do edifício. Ele saiu calmamente e levou todo o dinheiro que encontrou e alguns pertences da formosa menina.
Uma tentativa de disfarçar e ocultar seu envolvimento no crime. Os exames apresentados alegam esquizofrenia e psicopatia. E mais: apontam Arthur como um perigo para a sociedade.
Os psicólogos dizem que o matador nunca conseguiu criar laços afetivos. Por isso é um elemento perigoso, ele não se arrepende, não se comove e não hesita. Penso que o manicômio judiciário é o melhor lugar para ele. Esse homicida, precisa de uma cela especial e de segurança máxima.
E até que novos exames provem o contrário, Arthur deve permanecer isolado. Tenho certeza de que receberá uma pena exemplar. Pois não existem dúvidas aqui, apenas fatos, insanidade perversa e sangue.
Sem mais, Excelência!

Por Afobório.

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Este artigo foi postado Sábado, 4 Julho, 2009 ás 11:32 na edição Edição 24. Você pode acompanhar os comentários assinando nosso RSS 2.0 feed. Você pode deixar um comentário, ou trackback de seu site.

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