Fidelidades.
Não canso de ser fiel comigo.Â
Corto minhas unhas quando estão grandes. Se desesperam por eu não dar a devida atenção a elas, quando curtas, quase escondidas nos dedos. Resolvem então aparecer com tamanha rebelião que às vezes umas ficam encravadas nos cantos dos meus dedos. Minhas unhas agora são até decoradas de esmalte preto. Por enquanto é só preto.
Raspo meu cabelo quando os fios começam a formar o desenho da minha cabeça. Não gosto. Fico incomodado. Eles não tem como impedir o meu desejo de ignorá-los com a máquina zero. Gosto da originalidade. Espero que eles me perdoem por eu generalizar.
Quando os primeiros fios da minha barba aparecem, preocupo-me em fazê-las ou deixá-las crescerem e modelarem o meu rosto. É uma franqueza. É uma igualdade de interesses. No inÃcio de sua aparição em meu rosto, eu a ignorava, como se estivesse frente a frente com o espelho. Mas com o passar do tempo dei, e ando dando, o devido valor.
Meus olhos se cobrem com as imagens das estruturas de Porto Alegre. Dispenso óculos escuros. Desde que me vejo com meus olhos, nunca gostei de usar óculos de sombra. Os oculistas devem me odiar por isso.
A minha sobrancelha sobra em meu rosto. Ela é escura diante de meu clarão. As pessoas que não me veem há tempos, devem me reconhecer por ela. Ela é uma das minhas identidades. Ela recebeu meu respeito.
O meu andar é mÃúdo. A maioria das vezes com a cabeça para baixo. Os meus passos me acompanham. É a companhia mais sincera da maior parte da minha vida. O caminho não é invertido como as placas de ruas. É um só.
Aprendi a ser fiel comigo. Ser eu. Não seguir rumos iguais. Melhor do que aprender, deixei a vida me levar como o vento. Que viaja por todos os continentes. Deixei como o cantar dos passáros, que harmonizam o ambiente silencioso, como num parque, diante das árvores mudas pela não presença do vento sobre suas cabeleiras. Folhas. A solidão é inexistente com o cantar. Aprendi a viver a vida diante dos céus azuis ou escuros do dia.
Não canso de ser fiel comigo. Minha alma agradece por eu pintá-la.
Pintá-la com as verdadeiras expressões do meu eu. É como o Retrato de um menino de Paul Klee.
Sou um menino diante duma roda gigante.
Texto por Marcos Seiter. Arte por Agustin Rincón.

Auto-fidelidade é tudo.
17 Março 2009 as 13:27Amigos, estou felicÃssimo por publicarem meu conto, que achava que era crônica. **risos**
17 Março 2009 as 20:18Divulgarei em meu blog minha alegria.
Beijos!!!
Só uma coisinha. O tÃtulo é “FIDELIDADES” e não “NÃO CANSO DE SER FIEL COMIGO”. A frase “Não canso de ser fiel comigo.” é o inÃcio do mesmo.
Beijos!!!
17 Março 2009 as 20:51Se não formos fiés com nós mesmo, não seremos com mais ninguém….
Abraços!!!
18 Março 2009 as 16:27É importante evidenciarmos o nosso eu.
É importante termos personalidade para caminharmos
conforme nossos próprios pés nos levam.
Precisamos ser fiéis conosco mesmo, para
que não percamos nossa identidade.
Belo texto.
Abração
22 Março 2009 as 17:35